Ucrânia almeja tornar-se candidato à adesão à União Europeia (UE) em junho.
A vice-primeira-ministra da Integração Europeia e Euro-Atlântica da Ucrânia, Olga Stefanishina, disse ter esperança de que o país possa tornar-se candidato à adesão à União Europeia (UE) em junho.
"Esperamos que, na cimeira dos líderes da União Europeia em junho deste ano, a Ucrânia se torne candidata à adesão, e que esse processo abra novos horizontes políticos para nós, mas acima de tudo, horizontes financeiros", disse, segundo a agência de notícias Interfax.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu na sexta-feira ao Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a concretização de um relatório "em semanas" sobre a candidatura do país de adesão à UE."
Relembramos portanto o procedimento de adesão à UE:
A adesão à UE é um processo complexo e demorado. Além de ter de cumprir as condições de adesão, o país candidato tem de aplicar a legislação e a regulamentação europeias em todos os domínios.
Os países que satisfazem as condições de adesão podem apresentar a sua candidatura. Estas condições, conhecidas como «critérios de Copenhaga», implicam a existência de uma economia de mercado em funcionamento, de uma democracia estável e de um Estado de Direito, bem como a aceitação de toda a legislação e regulamentação europeias, nomeadamente o euro.
Um país que deseje aderir à UE deve apresentar a sua candidatura ao Conselho, que, por sua vez, solicita à Comissão que avalie a sua capacidade para satisfazer os critérios de Copenhaga. Se a Comissão der um parecer positivo, o Conselho tem de chegar a acordo sobre um mandato de negociação. São então oficialmente abertas negociações durante as quais cada domínio é debatido separadamente.
Critérios fundamentais para a adesão:
1. instituições estáveis que garantam a democracia, o Estado de direito, os direitos humanos, o respeito e a proteção das minorias;
2. uma economia de mercado viável e a capacidade de fazer face à concorrência e às forças de mercado na UE;
3. capacidade para assumir e executar eficazmente as obrigações decorrentes da adesão, incluindo a adesão aos objetivos da União política, económica e monetária.
Não podemos nos esquecer dos Princípios Fundamentais de Vinculação Institucional, são eles:
1. Princípio do Equilíbrio Institucional - Heterodoxia do modelo comunitário de separação e de equilíbrio de poderes resulta da coexistência de dois princípios construtivos do sistema comunitário de competências:
• repartição horizontal de poderes entre as diferentes instituições de decisão política;
• repartição vertical de poderes entre os Estados-membros e a UE.
2. Princípio do Respeito pelo Acervo Comunitário - Comissão no parecer de 1972 face a este primeiro alargamento delimitou que “ao tornarem-se membros das Comunidades, os Estados aderentes aceitam, sem reserva, os Tratados e as suas finalidades políticas, as decisões de qualquer natureza tomadas depois da entrada em vigor dos Tratados e as opções feitas no domínio do desenvolvimento e do reforço das Comunidades”.
3. Princípio da Cooperação Leal - Princípio da fidelidade comunitária, manifestação de boa fé e do princípio geral do pacta sunt servanda. Exigência básica de não contradição, coerência de atuação no sentido de adotar-se o comportamento que se mostre mais favorável ao cumprimento das obrigações previstas nos Tratados.
4. Princípio da Transparência - exprime um paralelismo assumido entre o procedimentos inerentes ao Estado de Direito nos ordenamentos estaduais e os procedimentos de uma União de Direito.
Fernando Leony
Fontes:
https://www.jn.pt/mundo/ucrania-quer-tornar-se-candidata-a-uniao-europeia-em-junho-14757025.html
https://ec.europa.eu/neighbourhood-enlargement/enlargement-policy/conditions-membership_pt
Ursula von der Leyen ressaltou, ainda, que a UE está do lado da Ucrânia e referiu que os Estados-membros já congelaram 225 mil milhões de euros de bens privados russos na UE. Prevê um declínio económico e tecnológico da Rússia e um avanço da Ucrânia face a um futuro europeu
ResponderEliminarPara visualizar u vídeo do momento: https://sicnoticias.pt/mundo/conflito-russia-ucrania/ucrania-quer-tornar-se-candidata-a-ue-em-junho/
Quanto à candidatura da Ucrânia, preocupa-me se os requisitos de estabilidade das instituições e da capacidade de concorrência no mercado da UE estarão cumpridos, tendo em conta a situação atual da Ucrânia. Mesmo após a guerra, deverá levar algum tempo para que se recomponha.
Em relação ao acelerar do processo, embora se compreenda a justificação para tal, alguns países, como os Países Baixos mostram relutância face a esta questão. Isto acontece porque, normalmente, só o processo de se determinar o estatuto de candidato demora de 15 a 18 meses. A Croácia, até ser aceite em 2013, percorreu um processo que durou quase 10 anos.
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