União Europeia e a dependência do gás russo

A ameaça de corte de gás russo para a Europa se torna cada dia mais real. A primeira ação deste tipo aconteceu no dia 27 de abril, quando a Rússia parou de fornecer gás para a Polónia e Bulgária e agora, no dia 21 de maio, a Rússia cortou o gás para a Finlândia. Estas interrupções do fornecimento de gás só mostram a urgência de resolver a falta de fiabilidade do abastecimento energético russo. 

 

As ameaças são contínuas, desde o começo da guerra contra a Ucrânia e deixa os países da UE preocupados, já que a Rússia fornece cerca de 45% das importações e 40% do consumo europeu. Em 2021, a Europa importou cerca de 140 mil milhões de metros cúbicos de gás russo através de gasodutos e mais de 15 milhões de metros cúbicos através de GNL. 

 

No dia 8 de março a Comissão propôs o esboço de um plano para tornar a Europa independente dos combustíveis russos antes de 2030. Na reunião do Conselho Europeu de 24 e 25 de março, os chefes de Estado ou de Governo dos Estados-membros chegaram a acordo sobre este objetivo e solicitaram à Comissão que esta apresentasse um plano pormenorizado sobre o assunto. A Comissão apresentou, então, no dia 18 de maio o plano REPowerEU, com o qual responde às dificuldades e às perturbações do mercado mundial da energia causadas pela invasão russa à Ucrânia. A transformação do sistema energético da Europa tem dois objetivos principais: colocar um fim na dependência da UE dos combustíveis fósseis russos até 2027 (que estão a ser utilizados como arma económica e política) e fazer face à crise climática (Pacto Ecológico Europeu – crescimento a longo prazo da EU para tornar a Europa climaticamente neutra até 2050). 

 

O plano é político, sendo uma ótima oportunidade para mostrar o apoio da UE à Ucrânia. É inovador e transformador para diversos países que, durante décadas, se habituaram aos fornecimentos baratos e fiáveis da Rússia. A paragem total das importações russas implica grandes desafios: diversificar fornecedores, redesenhar infraestruturas, aumentar a eficiência, impulsionar alternativas renováveis e, principalmente, assegurar que as famílias e as fábricas continuem ligadas à corrente sem interrupção a custos sustentáveis.

 

As medidas do plano podem ajudar a concretizar isto, por via de economias de energia, da diversificação do fornecimento energético e da implantação acelerada de energias renováveis para substituir os combustíveis fósseis nas habitações, na indústria e na produção de energia. Esta transformação ecológica irá reforçar o crescimento económico, a segurança e a ação climática. 

 

Alguns pontos do plano são:

 

- Economizar energia: forma rápida e barata de fazer face à atual crise energética e reduzir o valor dos gastos. 

- Diversificar o aprovisionamento e apoiar os parceiros internacionais: não fazer mais contratos para compra de gás russo, mas sim com outros fornecedores e fazer contratos de outras fontes. 

- Acelerar a implantação das energias renováveis: alargar e intensificar a implantação de energias renováveis na produção de eletricidade, na indústria, nos edifícios e nos transportes (alternativas: energia eólica, solar e nuclear).

- Reduzir o consumo de combustíveis fósseis na indústria e nos transportes: a substituição do petróleo e do gás irá reduzir as emissões de gases de efeito estufa e irá reforçar a segurança e competitividade. 

- Incentivar a substituição de esquentadores por bombas de calor: as bombas de calor, que utilizam eletricidade para aquecer através de ar quente, são uma solução mais eficiente em custo/benefício do que o gás ou outros combustíveis. 

 

Por enquanto, o fornecimento de gás russo continua a acontecer para diferentes Estados-membros, mas a UE já começou a dar os primeiros passos para tentar diminuir a dependência do produto. Resta saber se vai ser possível cumprir o previsto no Plano REPowerEU e tornar a Europa realmente independente dos combustíveis fósseis provenientes da Rússia e, principalmente, mais verde. 

 



Fontes:


https://observador.pt/especiais/como-pode-a-europa-reduzir-dependencia-do-gas-russo-nuclear-e-parte-da-solucao-diz-a-agencia-de-energia/


https://veja.abril.com.br/mundo/uniao-europeia-faz-plano-massivo-de-energia-verde-para-evitar-gas-russo/


https://pt.euronews.com/my-europe/2022/05/19/o-plano-da-comissao-europeia-para-substituir-o-gas-russo



Júlia Melo 

Nº aluna: 64394

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